Por que é que Marraquexe é conhecida como a «Cidade Vermelha»? A história por trás da sua cor

Por Que Marraquexe é Chamada de Cidade Vermelha? A História por Trás da Sua Cor
Por Que Marraquexe Tem Tantas Cores?
Chegue a Marraquexe e uma cor parece acompanhá-lo por todo o lado.
Pode vê-la nas antigas muralhas da cidade, ao longo das estreitas ruas da medina, em redor dos portões históricos e nas fachadas dos edifícios tradicionais. Por vezes, parece rosa empoeirado. Noutras ocasiões, transforma-se em laranja, terracota ou ocre intenso.
A cor torna-se mais forte quando o sol do final da tarde ilumina as muralhas. Esta paleta quente é a razão pela qual Marraquexe é amplamente conhecida como a Cidade Vermelha ou a Cidade Ocre.
No entanto, a alcunha não começou como uma expressão de marketing. A sua história começa com a terra sob a cidade.
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Por Que Marraquexe é Chamada de Cidade Vermelha?
A resposta curta é simples: Marraquexe foi construída com terra, e essa terra deu à cidade a sua cor quente.
Os construtores tradicionais utilizavam uma técnica conhecida como construção em taipa. Compactavam camadas de solo local para criar muralhas fortes e espessas. Também utilizavam argila, cal e outros materiais encontrados nos arredores de Marraquexe.
As muralhas históricas são um dos exemplos mais claros desta técnica. Os seus materiais naturais criaram uma variedade de tons rosa, castanho-avermelhado, terracota e ocre.
Marraquexe não está, portanto, coberta por um único tom de vermelho vivo. A sua famosa cor resulta sobretudo dos materiais tradicionais, da luz solar, da idade e da forma como a cidade foi construída.
Uma Cor Quase Tão Antiga Quanto Marraquexe
Os Almorávidas fundaram Marraquexe por volta de 1070–1072. A cidade tornou-se rapidamente um importante centro político, comercial e cultural do mundo muçulmano ocidental.
As muralhas defensivas surgiram pouco depois. Registos históricos relacionados com a Medina de Marraquexe, classificada pela UNESCO, datam a construção do recinto de 1126–1127, durante o reinado de Ali ben Youssef.
As muralhas quentes que os visitantes fotografam atualmente refletem uma tradição de construção que moldou a cidade durante quase nove séculos.
Aquilo que hoje constitui uma das identidades mais reconhecíveis de Marraquexe começou como uma escolha prática. Os construtores utilizavam os materiais disponíveis nas proximidades. Com o passar do tempo, estes tons terrosos tornaram-se parte da própria cidade.
Marraquexe é Realmente uma Cidade Vermelha?
Não exatamente, e isso faz parte do que torna a cidade interessante.
Marraquexe não tem um único tom fixo. Caminhe pela medina de manhã cedo e algumas muralhas parecerão rosa-pálido. Sob a forte luz do meio-dia, as mesmas superfícies parecem mais claras e empoeiradas. Perto do pôr do sol, muitas vezes tornam-se laranja, cobre ou vermelho intenso.
A idade também altera a cor. As muralhas recentemente restauradas têm um aspeto diferente das antigas muralhas marcadas pelo sol, vento, poeira e chuva.
“Cidade Vermelha” é, portanto, melhor entendida como uma família de cores terrosas quentes, e não como um único tom exato. Isto também explica por que razão as fotografias de Marraquexe podem parecer diferentes e, ainda assim, transmitir uma sensação inequivocamente local.
Onde Pode Ver a Cor Vermelha de Marraquexe?
Não precisa de procurar a paleta da Cidade Vermelha. Ela está presente por toda Marraquexe. No entanto, alguns locais mostram a cor de forma particularmente marcante.
Muralhas da Medina e Portões Históricos da Cidade
As antigas muralhas são o melhor ponto de partida. Rodeiam grande parte da medina histórica e criam uma fronteira visual clara entre a cidade antiga e os bairros mais recentes.
A UNESCO inclui as muralhas e os portões monumentais entre os principais elementos arquitetónicos da medina histórica. Visite no final da tarde, quando a luz solar mais baixa revela a textura e os tons variáveis das muralhas.
Palácio El Badi e as Suas Muralhas de Terra
Poucos lugares fazem com que a arquitetura terrosa de Marraquexe pareça tão monumental como o Palácio El Badi.
Os seus vastos pátios, muralhas altas, jardins rebaixados e ruínas abertas revelam a dimensão da arquitetura saadiana. A taipa constituiu uma parte importante da construção histórica do palácio.
O palácio é valioso não apenas pela sua história real. Também mostra como a terra local se transformou em arquitetura monumental. As áreas elevadas podem proporcionar vistas mais amplas sobre a cidade ocre e, em dias claros, em direção às Montanhas do Atlas.
Palácio da Bahia e as Suas Cores Escondidas
No Palácio da Bahia, a história das cores muda.
O exterior integra-se naturalmente na paleta terrosa de Marraquexe. No interior, porém, encontrará zellij colorido, tetos de cedro esculpido, pisos de mármore, detalhes pintados e estuque decorativo.
Este contraste faz do Palácio da Bahia uma excelente paragem num percurso pela Cidade Vermelha. As simples paredes exteriores podem esconder interiores extraordinariamente detalhados. Um guia áudio digital pode ajudar a explicar a arquitetura e o trabalho artesanal do palácio enquanto explora o espaço.
Os visitantes que pretendam combinar arquitetura com a cultura gastronómica marroquina também podem considerar um bilhete para o Palácio da Bahia e o Museu de Arte Culinária.
Túmulos Saadianos e Artesanato Real
Os Túmulos Saadianos oferecem outro contraste entre paredes exteriores simples e uma rica decoração interior.
No exterior, permanece dentro das cores quentes do bairro da Kasbah de Marraquexe. No interior, o cedro esculpido, o estuque decorativo, o mármore e os padrões geométricos criam um mundo visual mais detalhado.
A Sala das Doze Colunas é o principal destaque. O seu design requintado mostra que as superfícies exteriores simples da Cidade Vermelha raramente contam a história completa.
Jardins da Menara Além da Medina
O Pavilhão e Jardins da Menara mostram como a arquitetura terrosa de Marraquexe se integra numa paisagem mais ampla.
O pavilhão de tons quentes ergue-se junto a uma bacia de água refletora e a olivais verdes. Em dias claros, as Montanhas do Atlas elevam-se ao fundo. Esta combinação de muralhas ocres, árvores verdes, água azul e montanhas distantes cria outra versão da paleta natural da cidade.
Por Que o Jardin Majorelle é Azul Vivo?
A história das cores de Marraquexe torna-se ainda mais interessante no Jardin Majorelle.
Contra uma cidade repleta de muralhas cor-de-rosa, laranja e ocre, a arquitetura azul intensa do jardim é impossível de ignorar. O contraste constitui uma parte importante do seu apelo visual.
Marraquexe oferece o vermelho. O Jardin Majorelle responde com azul.
O pintor Jacques Majorelle desenvolveu o famoso tom de azul-cobalto atualmente conhecido como Azul Majorelle. Yves Saint Laurent e Pierre Bergé restauraram posteriormente o jardim e ajudaram a proteger o seu legado artístico.
Se quiser aprender mais enquanto explora as plantas, fontes e arquitetura azul, escolha um bilhete para o Jardin Majorelle com guia áudio digital.
Explore Mais nos Arredores do Jardin Majorelle
A história das cores continua para além do jardim. O vizinho Museu Yves Saint Laurent explora a ligação criativa do designer com Marraquexe.
O Museu Berbere apresenta aos visitantes o património Amazigh de Marrocos através de vestuário, joias, têxteis e objetos decorativos.
Um bilhete para o Jardin Majorelle, Museu YSL e Museu Berbere combina natureza, moda, design e história cultural numa única visita.
A Cidade Vermelha é Mais do Que uma Alcunha
Chamar Marraquexe de Cidade Vermelha pode parecer uma simples alcunha turística. No entanto, quando estuda os edifícios, o nome começa a revelar uma história mais profunda.
A cor liga a paisagem, o solo local, os métodos de construção tradicionais, as muralhas da medina, os palácios e séculos de arquitetura.
Também altera a forma como o resto de Marraquexe parece. As palmeiras verdes tornam-se mais vivas contra as muralhas ocres. Os céus azuis parecem mais intensos sobre as ruas de terracota. O Jardin Majorelle parece ainda mais dramático porque a maior parte da cidade segue uma paleta mais quente.
Depois de notar estes contrastes, o vermelho de Marraquexe deixa de ser apenas o cenário de fundo. Torna-se parte da forma como compreende a cidade.
Planeie um Percurso por Marraquexe Focado nas Cores
A melhor forma de compreender a Cidade Vermelha não é procurar um único monumento vermelho. Caminhe entre os seus palácios, jardins, túmulos e ruas antigas e observe como as cores mudam ao longo do dia.
- Comece pelas muralhas da medina e pelos portões históricos.
- Explore a arquitetura monumental de terra no Palácio El Badi.
- Descubra interiores ricamente decorados no Palácio da Bahia.
- Admire o trabalho artesanal saadiano no interior dos túmulos reais.
- Compare a paleta ocre de Marraquexe com o Azul Majorelle.
- Termine nos Jardins da Menara para desfrutar de vistas abertas e da luz mais suave do final do dia.
Se quiser combinar várias paragens de forma eficiente, utilize o itinerário cultural de um dia em Marraquexe para planear um percurso prático.
Também pode adicionar o Museu de Arte Culinária Marroquina para descobrir como a cor, as especiarias, a gastronomia e a arquitetura restaurada dos riads moldam outro lado da cultura de Marraquexe.
Veja as Cores de Marraquexe por Si Mesmo
Cada atração revela um tom diferente da cidade. O Palácio El Badi mostra a sua arquitetura monumental de terra. O Palácio da Bahia e os Túmulos Saadianos escondem uma decoração rica por detrás de paredes exteriores quentes. O Jardin Majorelle cria um contraste azul marcante, enquanto a Menara liga as cores da cidade aos seus jardins e à paisagem.
Escolha os locais que correspondem aos seus interesses e reserve tempo suficiente para reparar nos detalhes entre eles. As muralhas, os pátios, os jardins e as ruas fazem todos parte da experiência da Cidade Vermelha.
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